Literatura viva
Breve manifesto pela leitura de quem ainda está por aqui
[Edição #84]
“Autor bom é autor morto”. Estava com um amigo na Livraria & MondoLibro, uma livraria berlinense que vende livros em português, quando pesquei essa frase do livro “Tudo pode ser roubado”, de Giovana Madalosso. Não desejo, tampouco festejo, a morte de um autor; leio uma galera das antigas. Mas essa citação fora de contexto se encaixou numa prática que priorizei de tempos pra cá: ler quem está vivo. Participo de dois clubes de leitura: um online e outro na Holanda. No da Holanda, já aconteceu em mais de um encontro de lamentarmos pela pessoa que acabamos de ler não estar entre nós, ou sobre o quão triste é saber que aquele(a) autor(a) só teve o trabalho reconhecido anos após a morte. No do Brasil, com muita frequência, Tayná Saez, fundadora e mediadora do clube, convida a autora (ou autor) do livro do mês para conversar conosco1.
Num momento de brain rot com o Instagram aberto, vi um vídeo promovido pela CNN Brasil. Eles convidaram Pedro Pacífico para ir às ruas e perguntar às pessoas se conseguiam nomear pelo menos um(a) autor(a) brasileiro(a) vivo(a). Serviu de lembrete de que, neste quesito, vivo em uma linda bolha onde chovem recomendações excelentes de livros de leitores que estão na ativa. A melhor parte, para mim, é conhecer melhor o processo criativo de uma pessoa que escreve. Como chegou àquela ideia, o que precisou pesquisar, quanto tempo levou para chegar ao ponto final. É fascinante.
É um luxo poder fechar um livro e encontrar uma entrevista para ampliar meu conhecimento sobre a obra ou sobre quem a escreveu. Poder ler algumas dessas pessoas em newsletters ou estar com elas por um momento nos clubes de leitura é um privilégio ainda maior. Eu não sou egoísta e decidi fazer E compartilhar um listão de recomendações de escritoras brasileiras vivas. Minha ideia é poder mandar para qualquer pessoa fora da bolha, caso esteja em busca da próxima leitura. Vou aproveitar a deixa do mês de março para falar, por enquanto, só sobre mulheres.
Usei dois critérios — incluí apenas autoras com livros publicados e títulos que li entre 2023 e agora. Não tá na ordem de leitura nem de preferência. Acrescentei o link da editora em cada livro caso busquem a sinopse e mais informações sobre a obra. Nesta edição vou focar no que me tocou durante a leitura e para quais perfis recomendo, assim você já consegue ter uma ideia de quem quer conhecer primeiro :)
Observação: Tentei sinalizar onde nasceu cada autora, mas não encontrei informações para todas. O mesmo vale para as fotografias: muitas estavam sem créditos. Quem souber a autoria pode me dizer que atualizo :)
Conceição Evaristo (Belo Horizonte - Minas Gerais) - Ponciá Vicêncio
A escrita de Conceição é como entrar no mar. Dou meus primeiros passos com medo de alguma onda me levar, desconfortável caso a água esteja gelada. Mas, de repente, o mar me abraça, mergulho e não consigo mais parar de nadar. Conceição tem uma capacidade mágica de conduzir o leitor. Me fez chorar em uma página e sonhar na seguinte. A história de Ponciá poderia ser a de tantas outras brasileiras. Não é uma leitura tranquila; dói por ser tão próxima da realidade, mas é essencial.
Da mesma autora li também “Olhos d’Água”, coletânea de contos que me encantou e traumatizou na mesma medida. Conceição é uma das escritoras mais preciosas que temos no Brasil. É um encanto ouvir entrevistas com ela ou participações em podcasts. Imagino que tenha inspirado muitas mulheres negras a se aventurarem na literatura e espero, de coração, que siga como um símbolo para incentivá-las a nunca desistirem.
Recomendo para: Quem anda com bloqueio para leitura. É uma história curta que você consegue ler em poucos dias. Mas ela vai te acompanhar por bastante tempo. Se você gosta de histórias que abordam questões sociais, é a leitura ideal.
Aline Valek (Governador Valadares - Minas Gerais) - Cidades afundam em dias normais
Quem é de casa já me ouviu recomendar a Aline diversas vezes. Teve uma edição sobre o livro que recomendo agora. Aqui, o lance é sério e recomendo com bastante propriedade: faz tanto tempo que acompanho a autora que, quando a conheci, ela ainda não tinha publicado nenhum livro. Eu me lembro de celebrar o lançamento de “As águas vivas não sabem de si” como se fosse uma amiga pessoal. “Cidades afundam em dias normais” é uma obra robusta, acessível e muito atual.
Aline escreve sobre catástrofes climáticas, mas se apoia, sobretudo, na importância de cultivar a memória e valorizá-la para não repetir os erros do passado. Eu me apeguei muito aos personagens e passei horas conversando mentalmente com eles enquanto lia. Fiquei feliz por ter guardado esse para ler depois de me mudar do Brasil, pois chegou a mim com um peso saudosista dos mais gostosos.
Aline também desenha e tem um podcast! É uma das artistas que mais gosto de acompanhar.
Recomendo para: Todo mundo. Mas, sobretudo, para quem quer saber como as vidas continuam a existir em meio a catástrofes climáticas. Se você anda meio perdido, em busca de um propósito, esse livro pode te dar uma clareada nas ideias.
Bethânia Pires Amaro (Recife - Pernambuco) - O Ninho
A coletânea reúne 15 contos e foi vencedora do Prêmio Sesc em 2023. A autora explora múltiplos aspectos da maternidade. Seja ela “tradicional”, entre mãe e filho, ou pela perspectiva de alguém criada por outro parente. Bethânia parte das nuances dessas relações para nos mostrar que os clichês do maternar não são tão simples quanto parecem. E essa mulher tem a mão cheia para dar boas viradas de narrativa no fim da história, dessas que te fazem arremessar o livro na parede. Meus favoritos foram “Nero” e “Ovelha Negra”.
Recomendo para: Quem reclama da falta de tempo para ler. A vantagem do conto é que você pode ler um no metrô, indo para o trabalho, e deixar outro para ler no caminho de volta. Se você é uma pessoa descontrolada como eu, não vai aguentar e vai querer mandar logo três de uma vez. É um livro excelente para quem tem questões com a mãe (boas ou ruins!). Bethânia é inclusiva. Evite se você for uma mulher puérpera; guarde pra ler quando o bebê crescer um pouquinho.
Giovana Madalosso (Curitiba - Paraná) - Batida só
Cheguei ao “Batida só" com conhecimento de causa, pois este não foi meu primeiro contato com Giovana Madalosso. Ela é roteirista, e os romances que escreveu e publicou têm o melhor que uma roteirista pode nos oferecer: agilidade e imagens únicas. É pra devorar curtindo cada mastigada. Madalosso é bem-humorada e muito, muito debochada. Não tem medo de criar personagens odiosas e de colocar a ansiedade do leitor à prova. "Batida Só" rendeu gostosas gargalhadas, mas também me deixou muito reflexiva.
Recomendo para: Pessoas ansiosas que querem soluções para tudo para ontem! E pessoas que nasceram com o músculo da religião atrofiado. Ou só para quem quer rir um pouco enquanto lê para passar pelo menos uns três meses repensando questões do livro mais tarde.
Ana Barros (Santos - São Paulo) - As luzes de dois cérebros anárquicos
Eu disse que bons autores chegam até mim com muita facilidade. Ouvi falar de Ana Barros por intermédio de outra autora que, em breve, também será publicada: Gabriela Zambiazi. Ana é minha mentora e tem me ajudado a dar corpo a um romance que sonhei escrever por anos. Li este primeiro romance dela só agora, depois de alguns meses de mentoria e escrita, e minha admiração pelo trabalho dela cresceu. Sou suspeita enquanto fã de dramas familiares. Depois do primeiro capítulo, eu já queria saber tudo sobre Angela e por que a relação dela com a mãe, que acaba de falecer, era tão turbulenta. A narrativa é um grande nó que Ana desata, de pouco em pouco, por meio de personagens complexas e cheias de camadas.
Recomendo para: Quem tem dificuldades em se comunicar com mulheres da família. Este livro é um convite a repensar os pormenores que apequenam a vida de uma mulher e a refletir sobre o quanto verbalizar essas dores pode nos ajudar a seguir adiante.
Silvana Tavano (São Paulo - São Paulo) - Ressuscitar mamutes
Leitura fresquinha da vencedora do Prêmio Oceanos de 2025. Só agora me dou conta de que coloquei Silvana ao lado de Ana, uma pequena coincidência de tema. Em “Ressuscitar mamutes", também conheci uma mulher que perdeu a mãe. Aqui, contudo, o fato não é tão recente. A narradora faz escavações na memória e reconstrói a mãe que não está mais presente fisicamente. É uma obra cheia de elucubrações sobre os não-ditos e a passagem do tempo. Um lembrete de que o luto, em definitivo, não tem prazo de validade.
Recomendo para: Quem perdeu a mãe há pouco e precisa de colo. Quem ama a mãe e sente saudades todos os dias, mesmo ela estando viva.
Carina Bacelar (Rio de Janeiro - Rio de Janeiro) - As despedidas
“E então, sem perceber, mamãe me abriu caminho para o mistério. Para um espaço meu, onde eu entraria sem bater à porta. As palavras me livravam dos perigos, me entregavam a outros riscos. Com elas, eu podia chegar até onde o corpo não vai”. A narradora ensaia uma série de despedidas e, no processo, busca respostas dentro de si num mergulho no mar. O livro me lembra a sensação que tive ao ler “Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres”, de Clarice Lispector. O mar tem, para mim, uma força mística inexplicável. Não sei dizer bem como é possível, mas tem um poder curativo. E foi o que “As Despedidas” me proporcionou: esse banho de água salgada que serve de iluminação e ajuda a varrer para longe as angústias.
Carina também escreve uma newsletter linda no Substack.
Recomendo para: Quem busca uma leitura lenta, para ler sem pressa. Para quem começou terapia há pouco tempo ou está numa jornada de autoconhecimento.
Jarid Arraes (Juazeiro do Norte - Ceará) - Corpo Desfeito
Jarid é uma autora produtiva: já escreveu romance e contos e, no ano passado, lançou "Caminho para o grito", que reúne uma série de poemas. Ela também promove oficinas de escrita e mantém uma newsletter no Substack. Em suma, outra autora na ativa que é ótimo acompanhar. Já gostava da premissa de “Corpo Desfeito” antes de pegar o livro: uma história de três gerações contada pela menina mais nova, Amanda, de 12 anos. Apesar de conhecer a escrita de Jarid de outros carnavais, não estava preparado para o baque deste livro. É uma violência que atravessa gerações e deixa marcas muito vivas na pele de Amanda. E a autora sabe costurar muito bem esse trauma geracional.
Foi desolador atravessar essas páginas ao lado de uma menina tão carente de afeto familiar. Mas também temos lampejos de ‘paz', onde Amanda usufrui de pequenas felicidades e consegue aproveitar um pouco (bem pouco!) da adolescência.
Recomendo para: Quem precisou romper com algum familiar e sente culpa por isso e quem rompeu com alguma religião porque não aguentava mais ver tanta hipocrisia.
Taís Bravo - Expansão Marítima
Se o filme Aftersun fosse um livro e se passasse no Brasil, seria “Expansão Marítima”. Nele, Taís percorre a história do pai, desde a época em que saiu do interior da Bahia até o momento em que se instalou no Rio de Janeiro. Ao estudar a figura deste homem, a autora busca iluminação sobre como se encaixa neste enredo de vida. A escrita da Taís é poética e carregada de nostalgias. A cada virada de página eu me vi sentada numa canga, em alguma praia do Rio de Janeiro, observando essa menina e o pai dela.
Taís ministra oficinas e é uma das coordenadoras do Mulheres que Escrevem. Também é autora de uma das minhas newsletters favoritas.
Recomendo para: Qualquer pessoa que fica reflexiva diante do mar. Quem ainda não sabe o que significa ser filha, quem tem saudade dos pais. Segue trecho para ilustrar:
"eu ainda não sei o que significa
ser filha
mas talvez seja algo
como passar a vida interpretando
silêncios pressentindo nomes
desconhecidos repetindo o mesmo
começo continuamente apagado
até emergir
sem saber como
alguma diferença”
Lilian Sais (São Paulo - São Paulo) - Palavra Nenhuma
Sem querer, coloquei Lilian ao lado de Taís na minha lista, feliz coincidência de duas escritoras que exploram a figura paterna. Em “Palavra Nenhuma", a poeta se apoia em objetos que ganhou do pai, falecido, para desenhar a memória de quem ele foi. Cheguei a Lilian graças ao Dedo de Prosa e estou muito curiosa para conhecer melhor o trabalho dela, especialmente a prosa. Fiquei tão encantada com essa longa poesia que acabei relendo o livro outras três vezes.
Recomendo para: Quem precisa de colo ao atravessar um luto. Quem sente paz diante do mar e também acha a figura paterna um tanto indecifrável.
Noemi Jaffe (São Paulo - São Paulo) - Te dou minha palavra
Noemi Jaffe, padroeira dos escritores <3, mãe da Escrevedeira e de 11 livros. Uma pessoa extremamente generosa que, com poucas palavras, te deixa com vontade de pegar uma caneta e um bloco de papel para escrever a vida. “Te dou minha palavra" também foi um presente do Clube Dedo de Prosa e foi muito especial ouvir a autora nos contando mais sobre a experiência de escrita do livro. Ele entrou na minha lista de leituras favoritas do ano passado. É um romance delicado sobre identificar o que da nossa família permanece em nós enquanto nos entendemos como seres humanos.
Recomendo para: Quem já perdeu os pais há tempos e sente falta. Quem gosta de livros que acompanham uma personagem da infância à velhice.
Aline Zouvi (Rio de Janeiro - Rio de Janeiro) - Pão Francês
Enquanto me perdia pelas prateleiras de uma livraria em São Paulo durante uma das idas ao Brasil, notei que meu marido lia algo sentado num cantinho. Uma história em quadrinhos curta apresentava a visão de uma brasileira que sempre se interessou pela cultura francesa. Virou professora e, depois de algumas viagens para Estrasburgo, criou essa belezinha apontando algumas diferenças entre o jeito francês e o brasileiro de lidar com as coisas.
Deixei pra ler quando voltei pra Holanda e, há anos, não me divertia tanto com uma HQ curtinha. Consigo me relacionar com a pauta por conta dos meus anos morando na França e por ser casada com um francês. Aline Zouvi é bem-humorada, e minha única tristeza foi descobrir que esta era a nona publicação da autora e que só a conheci dois anos atrás. Na próxima ida ao Brasil quero garantir mais alguns títulos :)
Recomendo para: Quem gosta de relatos de viagem e quadrinhos e tem curiosidade pela cultura francesa.
Paula Maria (Vila Velha - Espírito Santo) - Caminhos curtos para caracóis
Em momentos de muita angústia e desesperança, costumo pegar meus livros de poesia e passar um tempo com eles. Me traz uma paz imensa. “Caminhos curtos para caracóis” é o meu convite para uma pausa. Como observar um caracol em sua trajetória enquanto busco respostas para meus caminhos tortuosos aqui dentro. Nas palavras de Jarid Arraes, na orelha do livro: “A trajetória do caracol é, afinal, um arrastar de sangue e de busca. É, acima de tudo, um encontro com o eu autêntico”. Tenho imensa admiração por quem escreve poesia. É tão forte a capacidade de encapsular um universo em poucas palavras.
Paula Maria também escreve uma newsletter que está entre as minhas favoritas.
Recomendo para: Quem precisa de uma pausa e de um abraço em forma de livro. Para quem tem medo de ler poesia. Esse livro vai desbloquear esse receio.
Bruna Dantas Lobato (Natal - Rio Grande do Norte) - Horas Azuis
Bruna Dantas transformou a minha angústia de morar a um oceano de distância da minha mãe em livro. Li tomada pelo sentimento meio claustrofóbico de existir numa tela de computador. Já são quase dez anos de trocas que só acontecem graças às chamadas de vídeo. A protagonista de “Horas Azuis” vai estudar nos Estados Unidos e apresenta à mãe pedaços da vida que leva em outro país em chamadas pelo Skype. Gosto muito do recorte temporal, pois a história se passa em tempos em que isso só era possível com um computador. Ou seja, nada de “vlog” ou de caminhar pelas ruas de Vermont mostrando como é em tempo real pelo Facetime.
É um ótimo livro de estreia e espero que ela escreva mais romances nos próximos anos. Bruna Dantas, além de escritora, também traduz. Ela foi, inclusive, premiada pela tradução do excelente “A Palavra que Resta”, de Stênio Gardel (outro escritor brasileiro vivo para colocar na lista!).
Recomendo para: Meus queridos imigrantes, todas e todos os queridos que já não moram no mesmo país que suas mães.
Surina Mariana (Belém - Pará) - 108
Não dá pra só mal dizer o Substack, pois se não tivesse criado uma página por aqui, talvez nunca tivesse conhecido a escrita de Surina. Acompanhei a newsletter por um tempo e, numa das edições, ela mencionou “108”. Aproveitei que iria ao Brasil em pouco tempo e encomendei minha cópia. Trouxe para ler no frio holandês, encantada com a riqueza desta artesã de palavras. O livro é um grande exercício de meditação. Dessas obras que te inspiram a repensar valores, os rumos que a vida toma, e o que fazemos com isso. Imagético, sensorial, enquanto lia, consegui me projetar nas ruas de Brasília e, posteriormente, num ashram e na Índia.
Surina nos guia pelos caminhos da própria mente, com muita honestidade e de coração aberto. Se, em algum momento da sua vida, você já sentiu o impulso de deixar para trás uma vida inteira para descobrir qual é a sua essência longe deste contexto, estas páginas podem ser uma iluminação.
Recomendo para: Quem se sente perdido e está em busca de um propósito. Você não vai encontrar respostas, mas Surina oferece diversos caminhos.
Paula Gomes - um garimpeiro, um padre, um médium, um detonador, um guia turístico e eu
Teve um fim de ano em que eu quis otimizar minha assinatura do Kindle Unlimited E ler livros de autoras brasileiras. Foi assim que conheci o livro de Carina Bacelar, que está na lista, e “um garimpeiro, um padre, um médium, um detonador, um guia turístico e eu”, da Paula Gomes. Amei a premissa da cidade “amaldiçoada” que não deixa seus moradores irem embora. Tem muita brasilidade, aquela pegada de fofoca que a gente adora e muitos personagens peculiares. São Henrique me pareceu tão real que, no meio da leitura, estive perto de buscar informações sobre a cidade no Google.
O livro aparece indisponível no momento em que busco informações sobre ele, mas a autora tem outras publicações em formato digital que pretendo ler em breve. Vou deixar o link para quem tiver curiosidade em conhecer o trabalho dela.
Recomendo para: Outra ótima pedida para quem diz que não tem tempo de ler e que não consegue engajar em nenhuma leitura. Dá pra trocar umas horinhas de scroll nas redes sociais pelo livro da Paula, que é curtinho e vai te entreter de forma genuína.
Carol Bensimon (Porto Alegre - Rio Grande do Sul) - Diorama
Quando ainda morava na casa dos meus pais, em Campo Grande-MS, já era uma pequena traça devoradora de livros. Amava ficção, mas era uma leitora de variantes das leituras obrigatórias do vestibular. Ou seja, embora conhecesse bem a literatura brasileira e portuguesa, só lia gente que já havia morrido. Foi graças ao Meia Palavra, antigo fórum de literatura (e um tempo mais tarde convertido em blog), que descobri a magia de pessoas que escreviam e publicavam livros naquele momento. Eu era bem jeca e sem noção das coisas; tinha meus 17 anos e achava muito especial pensar em pessoas de 20 e tantos anos publicando romances. Era um barato.
Foi com uma resenha do Meia Palavra que descobri “Sinuca Embaixo d’Água”, leitura que me marcou muito na época. E sabe o que isso significa? Que leio Carol Bensimon desde 2009. Quando peguei “Diorama” em 2023, me impressionou enormemente a maturidade literária da autora. A escrita dela já era muito boa, mas ficou ainda melhor. Agora posso dizer que acho sensacional que Bensimon tenha sido uma das primeiras autoras brasileiras vivas que li na adolescência e que tive o privilégio de acompanhar ao longo de tantos anos.
Ela escreve Nevoeiro, que também é uma das minhas newsletters favoritas por aqui (são muitas, eu sei). E se você, jovem escritor, sonha em ser escritor, as edições pagas são um prato cheio.
Recomendo para: Quem sente falta de andar pelas ruas de Porto Alegre. Quem gosta de leituras mais introspectivas, voltadas mais ao comportamento e às emoções dos personagens do que um milhão de reviravoltas malucas.
Mariana Salomão Carrara (São Paulo - São Paulo) - Não fossem as sílabas de sábado
O que mais gosto na literatura de Mariana é o quanto ela não tem medo de se diversificar e de experimentar estratégias diferentes. No romance de estreia, “Se Deus me Chamar não vou” (que ainda é o meu favorito dela), quem nos conta a história é uma criança. Neste “Não fossem as sílabas de sábado”, a narração fica por conta de uma mulher de 30 anos. E sabe o que é mais doido? Funciona. Porque ela é uma baita escritora.
O sílabas é delicado, pois já começa com a morte do parceiro da narradora (não é spoiler, tá na sinopse). O luto é personagem central, abordado com cuidado, mas também com muita honestidade (é, essa é uma característica que me encanta muito na literatura). Mariana captura bem a confusão da passagem do tempo após a perda de uma pessoa querida. As oscilações que acontecem quando vem a culpa por se sentir bem, a tristeza que nos toma violentamente, e a realização de que dá para seguir adiante carregando a perda conosco. Escrevi sobre ele numa edição de 2023, quando realizei a leitura.
Recomendo para: Quem atravessa um luto ou quem já perdeu uma pessoa querida e não dispensa colo. E quem gosta daquele livro que te dá uma estragada e faz derramar umas lágrimas.
Fabiane Guimarães (Formosa - Goiás) - Como se fosse um monstro
Jamais fecharia minha seleção sem uma representante do Cerrado brasileiro! Representatividade importa hehe. Para começo de conversa, Fabiane é imbatível em títulos. Tem também excelentes escolhas de temas que parecem simples nas primeiras páginas, mas logo te viram do avesso. A prosa da autora é limpa e sem rodeios, uma ótima pedida para quem se sente intimidado pelos livros e acha que só podem ser lidos por intelectuais com formação na área.
Damiana, protagonista da história, me fez perceber que sabia muito pouco sobre mulheres que trabalhavam como barriga de aluguel. Sem querer, a ficção serviu de porta de entrada para eu me inteirar melhor do assunto. Me fez, igualmente, refletir sobre a maternidade em todas as suas formas.
Fabiane já anunciou o lançamento do novo livro, “A linguagem dos desastres”, para este ano. E também mantém uma newsletter ótima por aqui.
Recomendo para: Quem tem pensado muito sobre a autonomia dos corpos femininos. Quem quer ampliar o léxico sobre maternidade e quem gosta de questões sociais abordadas com leveza.
Para além dos Estrangeirismos
Acho que compartilhei links o suficiente nesta edição, hehe, e ainda tenho uma série de autoras na prateleira que não li e, sem dúvida, renderiam outro texto recheado de recomendações. Quem sabe faço uma segunda lista daqui a um ano?
Se você tem indicações que eu deveria priorizar, deixe nos comentários. Já aproveita para me contar se já leu alguém desta lista e de quem gostou mais.
Vamos continuar esta conversa?
Você pode responder direto nesta mensagem ou enviar um e-mail à parte para lidycomisso@gmail.com :) A resposta costuma demorar, mas chega.
Assinou a newsletter recentemente? Te convido a conferir as publicações anteriores. Se você comentou nas edições antigas, obrigada! Às vezes enrolo um pouco, mas também respondo. É que sou da turminha do slow content.
Não hesite em deixar comentários ou em me escrever sobre textos antigos. Amo ver como envelhecem e continuam se espalhando por aí <3
Um cheeeiro e até a próxima!
O Clube Dedo de Prosa promove encontros mensais. Você encontra mais informações e pode se inscrever no perfil da Tayná.






















Com certeza! No momento estou lendo Ilhas Suspensas de Fabiane Sacches e adorando!
Essa lista é um prato cheio!!
Vou deixar meu grãozinho de areia e recomendar a Thais Campolina, grande autora brasileira (viva) que manda muito bem tanto em poesia como em prosa ❤️